5 de jun de 2011

X-Men Primeira Classe


X-Men é um dos meus filmes de super-herói prediletos, senão o melhor. Da série protagonizada por Hugh Jackman, achei que os filmes foram progressivamente melhores, com excessão do último (X-Men Origins: Wolverine), que não era excelente, mas OK. Aqui mudam os atores, para mostrar o momento em que o Professor Xavier e Magneto se conheceram e tornaram-se amigos. Os atores que os interpretam são ótimos e a relação entre eles é muito interessante, mais legal ainda é lembrar de momentos dos dois nos outros filmes para ver como a relação deles evoluiu: posições absolutamente antagônicas mas os dois se respeitam em suas diferenças. Além disso, é legal ver o assunto ao auto-aceitação dos mutantes, principalmente nos personagens da Mística e do Hank McCoy (Fera). Fora isso, apenas achei estranha a relação entre a Mística e o Professor Xavier, que cresceram juntos, pois não via muita cumplicidade entre eles nos outros filmes. Os poderes de alguns dos novos mutantes também não me soaram muito interessantes. Mas fora esse detalhes, o filme tem personagens bem construídos, enfoques interessantes e sequências de ação muito eficientes.

Minha Cotação: * * * *



X-Men: Primeira Classe
por Pablo Villaça
http://www.cinemaemcena.com.br/Ficha_filme.aspx?id_critica=7727&id_filme=5406&aba=critica



Dirigido por Matthew Vaughn. Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, January Jones, Jennifer Lawrence, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, Nicholas Hoult, Lucas Till, Glenn Morshower, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Álex González, Oliver Platt, Matt Craven, James Remar, Rade Serbedzija, Ray Wise e Michael Ironside.




Um dos grandes problemas das pré-continuações (ou prequels) é o fato de que já sabemos como a história irá terminar: como conhecemos os personagens em suas versões mais maduras e também suas relações uns com os outros, testemunhar como chegaram aos pontos nos quais os encontramos originalmente costuma representar uma experiência que na melhor das hipóteses soa previsível e, na pior, irritante ao criar conflitos graves com o que já sabíamos sobre aquelas figuras – e ambas as coisas aconteceram em maior ou menor grau, por exemplo, em Wolverine. Assim, é no mínimo admirável que X-Men: Primeira Classe consiga o efeito oposto: além de envolvente do início ao fim, esta nova adição ao universo dos mutantes (que já conta com três ótimos filmes) preenche as lacunas deixadas pelos anteriores de forma intrigante, despertando no espectador a vontade de revê-los a fim de reavaliar o que lá acontecia sob a luz dos incidentes aqui ocorridos.


Escrito pelas duplas formadas por Ashley Miller e Zack Stentz (O Agente Teen, Thor) e Jane Goldman e o cineasta Matthew Vaughn (Stardust, Kick-Ass), o roteiro tem início na década de 40 ao trazer o jovem Erik Lehnsherr (leia-se: Magneto) ainda no campo de concentração. Atraindo o interesse do inescrupuloso Sebastian Shaw (Bacon) em função de seus poderes, ele é convertido num homem amargurado que dedica sua vida no pós-guerra à idéia de encontrar seu antigo algoz e matá-lo, eventualmente tornando-se próximo de outro jovem mutante, Charles Xavier (McAvoy). Recrutados pela agente da CIA Moira MacTaggert (Byrne), os dois homens passam a buscar outros mutantes que possam ajudá-los a perseguir Shaw, que parece determinado a incendiar as relações entre Estados Unidos e União Soviética por motivos obscuros.

Usando a crise dos mísseis cubanos como pano de fundo para a ação, X-Men: Primeira Classe é hábil ao empregar incidentes históricos como forma de ancorar seus personagens fantásticos no mundo real, recuperando as instigantes discussões promovidas pela trilogia original, que sempre se mostrou interessada em usar a discriminação contra os mutantes como metáfora óbvia dos preconceitos sofridos por tantas outras minorias – e ouvir os discursos sobre (auto-)aceitação proferidos por Magneto (Fassbender), por exemplo, é algo que torna o personagem querido justamente por nos levar a compreender sua condição de excluído. Além disso, é fácil comover-se com a alegria de Xavier ao constatar a existência de mais mutantes do que imaginara, já que percebemos como aquilo se ajusta à sua necessidade de... simplesmente pertencer.

Vivido por James McAvoy como um jovem inteligente e precoce, o Xavier desta Primeira Classe é um indivíduo que, ao mesmo tempo em que já exibe sua futura natureza agregadora e de professor, ainda conta com uma vivacidade apenas possível por sua inexperiência. Divertido e – surpresa! – galanteador, o futuro líder dos X-Men desperta nossa admiração não só graças ao seu carisma, mas também ao seu pensamento rápido (ao constatar a existência de uma outra telepata ao lado do vilão, por exemplo, ele logo avisa aos companheiros que não poderá ajudá-los com seus poderes naquele momento, assumindo um papel fisicamente ativo na missão para não tornar-se inútil). Além disso, McAvoy acerta ao conferir imensa doçura ao personagem – e sua grande alma torna-se evidente quando, depois de ler a mente de um companheiro amargurado, seca uma lágrima e agradece pela memória compartilhada.

Enquanto isso, o excelente Michael Fassbender, que havia passado por uma transformação física notável no ótimo Hunger, aqui assume a difícil tarefa de viver um dos melhores personagens dos longas anteriores, Magneto, saindo-se admiravelmente bem. Impulsivo e tomado pelas trágicas memórias da infância, o sujeito entende, como sobrevivente do Holocausto, como os humanos podem ser cruéis com aqueles que julgam diferentes – e é este cinismo diante da humanidade que molda seu caráter e move suas ações, freqüentemente contrapondo-o ao otimista amigo Xavier (e as conversas/discussões mantidas pelos dois representam os melhores momentos do filme, já que o respeito que mantêm um pelo outro torna sua dinâmica ainda mais complexa). Imprevisível e explosivo, o Magneto de Fassbender assume com tranqüilidade a função narrativa exercida por Wolverine nos primeiros filmes, o que, em retrospectiva, torna sua relação com o personagem de Hugh Jackman naquelas obras ainda mais intrigante. Como se não bastasse, o roteiro ainda explora com inteligência o contraste entre as experiências de Xavier e Magneto, já que, enquanto o primeiro estudava e se divertia, o segundo vivia uma jornada de vingança e fúria – o que naturalmente acaba se refletindo na maneira com que enxergam o mundo ao seu redor.

Eis aí a grande força da série (e que foi sintomaticamente ignorada no fracassado Wolverine): seus personagens – e não é à toa que, mesmo tratando-se de um filme de ação, é necessário dedicar tanto tempo à análise dos indivíduos apresentados pela narrativa. Contando com um universo rico e povoado por criaturas fascinantes, Primeira Classesempre se torna melhor quando se concentra nos poderes de seus mutantes e na maneira com que estes interagem – desde os momentos mais descontraídos, quando simplesmente demonstram prazer por se descobrirem, até aqueles mais tensos nos quais uns são obrigados a usar seus dons em resposta aos ataques dos outros. E se o elenco da produção é repleto de nomes notáveis (basta olhar a lista no alto deste texto), é impossível não destacar as performances de ao menos três destes - Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult e Kevin Bacon – e o corpo de January Jones. Lawrence, tão eficiente em Inverno da Alma, compõe Mística como uma jovem repleta de vida, mas que ressente a aparência resultante de sua mutação, estabelecendo uma dinâmica fluida com Xavier, que respeita sua insegurança, e Magneto, que insiste para que assuma sua diferença. Hoult, por sua vez, deixa para trás a imagem do menino de Um Grande Garoto e transforma Hank McCoy num rapaz brilhante que, contudo, mostra-se farto daquilo que enxerga como uma deformidade que o torna um pária – e sua trajetória, que remete a O Médico e o Monstro (citado pelo filme, aliás), é uma das mais interessantes do longa. Finalmente, Bacon é responsável por estabelecer Shaw como o melhor vilão de toda a série (nunca encarei Magneto como “vilão”), exibindo uma segurança que leva o espectador a realmente temer pelo destino dos heróis.

Dirigido com firmeza por Matthew Vaughn (que, além dos já citados Kick-Ass e Stardust, comandou o ótimo Nem Tudo é o que Parece), X-Men: Primeira Classe traz seqüências de ação intensas e bem orquestradas, destacando-se também em seus momentos de maior sutileza – e reparem, por exemplo, na maneira com que o cineasta subitamente salta o eixo depois de alguns minutos durante a primeira conversa entre Shaw e o pequeno Erik Lehnsherr para revelar, de maneira impactante, o que se encontra do outro lado da sala do vilão, obrigando o espectador a recontextualizar toda a conversa a fim de compreender a urgência da situação do garoto. Da mesma maneira, Vaughn se diverte na composição de seus quadros, criando planos curiosos como aquele no qual Magneto conversa com o gerente de um banco enquanto seu rosto é refletido em uma barra de ouro ou aquele outro no qual o agente vivido por Oliver Platt é surpreendido ao ser teletransportado pelo capanga Azazel (Flemyng, colaborando com o diretor pela quarta vez) para um ponto inesperado.

Com um design de produção inteligente que consegue fazer um belo trabalho de recriação de época ao mesmo tempo em que evoca o universo dos quadrinhos através da utilização de cores básicas (o submarino de Shaw é um bom exemplo), o filme também utiliza bem a trilha sonora, evitando excessos, mas pontuando de maneira bem-humorada determinadas passagens – como, por exemplo, ao empregar um ritmo que remete apropriadamente aos anos 60 na seqüência que traz Xavier e Magneto buscando novos “recrutas”. E se aqui e ali os efeitos visuais tropeçam (ogreenscreen utilizado no plano que revela o general russo em Moscou é pavoroso), na maior parte do tempo funcionam bem ao ilustrar os poderes dos personagens de maneira perfeitamente convincente.

Com isso, X-Men: Primeira Classe representa mais um grande triunfo nas empreitadas envolvendo o universo da Marvel, não apenas honrando os longas anteriores, mas também enriquecendo-os em retrospecto. E se há algo que jamais imaginei ser possível é que a única coisa capaz de tornar aqueles filmes ainda mais eficazes seria, vejam só, uma versão “adolescente” dos personagens.

Talvez seja hora de Hollywood tirar Scarface: Jovem e Rebelde da gaveta.

Observação: entre as várias pontas de rostos estabelecidos, há duas que levarão os fãs à loucura.

31 de Maio de 2011

FICHA TÉCNICA

Diretor: Matthew Vaughn

Elenco: James McAvoy, Michael Fassbander, Alice Eve, Kevin Bacon, Nicholas Hoult, Jennifer Lawrence, January Jones, Rose Byrne, Jason Flemyng, Oliver Platt

Produção: Gregory Goodman, Simon Kinberg, Lauren Shuler Donner, Bryan Singer
Roteiro: Jane Goldman, Jamie Moss
Fotografia: John Mathieson
Trilha Sonora: Henry Jackman

Duração: 132 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Donners' Company / Marv Films / Twentieth Century Fox Film Corporation
Classificação: 12 anos








2 comentários:

  1. Como já comentei com vc, não dava nada pra esse filme. Para mim só o X-Men lá, o 1ro foi bom! Mas ai fui ver, contra vontade, e acabei gostando! Os efeitos tbm são bons e mesmo com um elenco jovem o filme é bem trabalhado! Gostei o/

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  2. Poxa, não gostou do X-Men 2 e 3? Pra mim são os melhores. Mas legal que gostou desse, assim pode ir sem ser contra a vontade ver as continuações tb... huahuahuahua...

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