3 de nov de 2012

Filmes de Outubro


Os últimos filmes assistidos...


 Um filme como "007 - Operação Skyfall" é como todos os outros da série. Você assiste e logo depois esquece. Skyfall talvez tenha alguns ingredientes que permitam que você não se esqueça tão facilmente dele depois da sessão. Primeiro, a sequência inicial, fantástica, com uma perseguição na Turquia; segundo, a melhor participação da M de Judi Dench, ganhando destaque como ponto chave para a história; e principalmente porque possui um vilão interessante, com nuances homossexuais (Javier Bardem) que infelizmente só são abordados em uma cena e depois esquecidos. O diferencial talvez fique para a direção de Sam Mendes ("Beleza Americana"), mas o filme não tem nada de auoral e se encaixa melhor no gênero ação mesmo. Daniel Craig parece cada vez mais perfeito para o papel. Uma boa diversão, especialmente para os fãs da série, já que traz diversas referências aos entendidos. O tema musical desse 007 foi composto e interpretado por Adele.

Minha Cotação: * * *


"Cosmópolis" é um dos filmes mais aborrecidos que eu já vi. Extremamente verborrágico, o filme tem pouco a dizer, e o pouco se resume na história clichê de um homem rico entendiado com sua própria riqueza e falta de limites. O que há de interessante no filme se perde em diálogos intermináveis, com atores em interpretações entediadas e basicamente, tudo num único cenário, o carro do protagonista (Robert Pattinson, da série "Crepúsculo"). David Cronemberg (do recente e ótimo "Um Método Perigoso") já fez muito melhor, e aqui a cena mais marcante parece ser mesmo a do protagonista fazendo um exame de próstata dentro do carro.

Minha Cotação: *







O filme francês"Intocáveis" constrói o relacionamento entre um homem paraplégico e rico (François Cluzet) e um imigrante ex-presidiário e pobre (Omar Sy) que começa a cuidar dele. O grande trunfo do filme é mostrar como essas pessoas tão opostas puderam se relacionar tão bem, numa história inspirada em fatos reais. Obviamente, a história é apenas inspirada na realidade, já que parece muito mais inspirada em outras histórias do cinema, repleta de clichês. De qualquer forma, o filme é emocionante e engraçado, mas nada correspondente à repercussão que o filme tem tido, até com possível indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Minha Cotação: * * * *







"Magic Mike" é um filme sobre alguns jovens que dançam e fazem striptease num clube de mulheres. O filme é um veículo para Channing Tatum (de "G.I. Joe" e "Querido John"), que é bonito e um incrível dançarino, e produz o filme. O elenco ainda conta com Matthew McConaughey ("EdTV"), Joe Manganiello (o Alcide da série "True Blood", subaproveitado) e Alex Pettyfer ("Eu sou o Número 4"). Aliás, elenco nunca é o problema em filmes de Steven Soderbergh (de "Traffic" e "Onze Homens e um Segredo"), mas aqui o diretor parece fora de contexto, tentando dar uma trama pesada e séria para um filme que funcionaria melhor como simples diversão. O roteiro também não ajuda, com associações moralistas dos strippers a drogas ou degradação. Ainda assim, o filme vale pelo que tem de entretenimento.

Minha Cotação: * * *




Assim como outros filmes de Wes Anderson ("Viagem a Darjeeling", "Os Excêntricos Tenenbaums") "Moonrise Kingdom" é um filme que privilegia uma estética diferente e personagens fora do comum. A filmagem que referencia os anos 60, a fotografia super colorida e até mesmo as atitudes dos personagens (bem como a interpretação dos atores, entre eles Bill Murray, Edward Norton e Frances McDormand), traz uma ingenuidade que encanta. Essa ingenuidade se reflete na história, de duas crianças que fogem de casa para viver um romance. A ingenuidade, assim como encanta, em excesso também acaba enjoando, mas a produção vale pela originalidade e justamente por resgatar uma beleza nessa inocência juvenil.

Minha Cotação: * * * 1/2






10 de set de 2012

Bom Retiro, Satyricon e Morte


As últimas no teatro...


'Bom Retiro 958 metros' é uma peça do grupo Teatro da Vertigem, responsável sempre por espetáculos  em lugares diferentes do normal. Na peça "Apocalipse 1,11", toda a encenação acontecia dentro de um presídio e em "O Livro de Jó" em um hospital. Dessa vez, o grupo explora um shopping e as ruas do Bom Retiro. O painel é muito interessante, mostrando desde o desejo de consumo até a exploração de trabalhadores, passando ainda pela personagem de uma manequim defeituosa procurando emprego. O elenco é sempre eficiente e a direção parece aproveitar bem todo o potencial do elenco e dos lugares em que eles circulam. A peça também impressiona pela logística, já que envolve diversas interações com prédios da região e pelas ruas do bairro. Imperdível.




As peças do grupo "Os Satyros" em geral esbanjam sexualidade, como era o caso por exemplo de "Os 120 Dias de Sodoma". Por conta disso, parece natural que o grupo adapte a obra "Satyricon", que já virou filme de Frederico Fellini (1969), e que também conta com diversas cenas de sexo. A adaptação do grupo é visualmente forte, conta com diversas cenas impactantes e desenvolve uma emocionante história de um triângulo amoroso homossexual. A dramaturgia perde o ritmo e erra a mão em alguns momentos, mas no geral o espetáculo instiga e interessa.


6 de set de 2012

Mostra celebra filmes da Retomada


"Carlota Joaquina", com Marieta Severo: marco histórico

Os primeiros 20 anos de uma bela história
O novo Espaço Itaú resgata o melhor da produção cinematográfica brasileira
06 de setembro de 2012 

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mostra-celebra-filmes-da-retomada,926667,0.htm

Antônio Brasileiro Jobim forneceu a trilha para a reinauguração do Espaço Unibanco, na Rua Augusta, agora rebatizado com a marca do novo patrocinador - virou Espaço Itaú. Como o filme exibido para convidados foi O Tom da Luz, segunda parte do díptico de Nelson Pereira dos Santos dedicado ao compositor - após A Música Segundo Tom Jobim -, o público só teve de sentar-se nas poltronas e relaxar. O próprio Nelson fez a apresentação e Adhemar de Oliveira disse esperar que o Espaço que agora surge esteja nascendo para 'mais 20 anos'.


Embarque nas Narrativas de Viagem


Embarque nas narrativas de viagem
Por Andréia Silva
http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/47201

"As Viagens de Marco Polo",
o pioneiro dos livros de viagem
"Grande é a diferença entre o turista e o viajante", já dizia a escritora Cecília Meirelles. "O primeiro é uma criatura feliz, que parte por este mundo com a sua máquina fotográfica a tiracolo, o guia no bolso, um sucinto vocabulário entre os dentes: seu destino é caminhar pela superfície das coisas”, disse ela. Para o segundo, guardou mais poesia. “O viajante é criatura menos feliz, de movimentos mais vagarosos, todo enredado em afetos, querendo morar em cada coisa, descer à origem de tudo, amar loucamente cada aspecto do caminho (...)”.


4 de set de 2012

Um Divã, A Arte e o Fim do Mundo



Aqui reunidos alguns filmes vistos recentemente: dois filmes com tramas românticas, mas que ganhariam mais se abordasse os temas interessantes propostos (o fim do mundo e o desenvolvimento de um artista), e uma comédia romântica que conta com elenco inspirado e consegue acertar tanto na trama romântica como nas possibilidades cômicas.


"Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" é o tipo de filme cujo tema empolga mais do que seu desenvolvimento. Quando vi o trailer, fiquei empolgado com a história de alguns personagens que devem lidar com o fim do mundo iminente. Apesar de contar o sempre ótimo Steve Carell e com a estranha mas talentosa Keira Knightley, o filme da roteirista e diretora estreante Lorene Scafaria não aproveita todas as possibilidades. A história se inicia quando Dogde (Carell) recebe a notícia do fim do mundo e é imediatamente abandonado pela esposa. A notícia começa a provocar diversas mudanças na rotina das pessoas, abordadas de forma cômica, porém comedida. A partir de certo ponto, o filme prefere se focar mais no aspecto romântico, o que enfraquece o inusitado da proposta inicial. É uma pena, teremos que aguardar outro filme que traga uma nova abordagem sobre o tema.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *




"A Arte da Conquista" traz o ex-ator mirim Freddie Highmore (de "A Fantástica Fábrica de Chocolates") no papel de George, um adolescente em crise, que não consegue encontrar motivação para seguir sua vida. Até conhecer Sally (Emma Roberts, de "Pânico 4"), uma colega de escola que se envolve com ele. George tem talento como desenhista e pintor, mas não consegue também se focar em seu talento. No decorrer do filme, é como se acompanhássemos o amadurecimento não somente emocional de George, mas também seu amadurecimento artístico. Para manter o filme num registro mais palatável ao grande público, o filme também conduz a trama romântica entre George e Sally, criando inclusive um triângulo amoroso com o orientador artístico de George, Dustin (Michael Angarano, de "Sky High: Super Escola de Heróis"). Enfim, novamente a subtrama amorosa tira foco do que o filme tinha de mais interessante, mas mesmo assim o filme mantém o interesse.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *



"Um Divã para Dois" é uma comédia dramática estrelada por Meryl Streep, que por si só já justifica qualquer filme. O diretor desse filme, David Frankel, é responsável também por uma das melhores interpretações da carreira de Meryl, em "O Diabo Veste Prada". Aqui ela interpreta uma dona de casa que procura ressuscitar o seu casamento, que caiu na rotina e na ausência de sexo. Por melhor que Meryl seja, quem rouba a cena mesmo é o marido rabugento dela, interpretado por Tommy Lee Jones. Durante o filme todo ficamos atentos a como ele irá reagir à terapia que os dois participam para tentar salvar o casamento. O filme ainda conta com Steve Carell, no papel do terapeuta. Além do elenco inspirado, o filme tem um roteiro esperto, que sabe aproveitar todas as possibilidades divertidas e emocionais da história, principalmente quando aborda as tentativas do casal de reanimar a vida sexual, até numa cena divertidíssima em que o casal tenta fazer sexo oral numa sala de cinema.

Cotação do Janela Indiscreta: * * * 1/2




2 de set de 2012

Diferentes Modos de Pensar


Diferentes modos de pensar
O artigo não é recente (embora o tema seja), mas estava vendo TV e vi algo sobre esse livro "The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion" e resolvi pesquisar. A questão é: porque certas diferenças de opinião podem ser tão inconciliáveis? Vide questão do aborto, ou diferenças entre democratas e republicanos. Na verdade, o que o autor defende é que não somos tão racionais como pensamos ser. Na verdade até, defende o autor, muitas vezes temos convicções (criadas sem muito embasamento) e passamos a procurar informações para confirmá-las, ao invés de através de informações construir nossas convicções. Isso também é definido por 6 sentimentos básicos que possuímos ou não.

E Aí... Comeu? e À Beira do Caminho


O tempo passa e acabo esquecendo ou ficando sem tempo de comentar alguns filmes que assisti, então vou comentar esses dois filmes brasileiros nesse mesmo post.


"E Aí... Comeu?" é uma comédia divertida, baseada em peça de teatro de Marcelo Rubens Paiva. O filme tem bons diálogos e algumas cenas divertidas, principalmente aquelas em que o trio principal de atores: Marcos Palmeira, Emílio Orciollo Neto e Bruno Mazzeo, conversam num bar sobre suas vidas amorosas e sexuais. As conversas divertidas e que parecem não levar a lugar nenhum são o melhor ponto do filme. Na tentativa de adaptar a peça de teatro para o cinema, o roteiro procurou criar histórias românticas para os seus personagens, que soam caretas comparadas às conversas de bar. A pior história é com certeza a que envolve uma suposta traição de Dira Paes com o marido Palmeira. De qualquer forma, o filme vale pelas cenas divertidas que apresenta que, ao contrário de algumas comédias brasileiras recentes, não são apelativas. Aliás, falar de sexo sem ser apelativo é realmente algo a se valorizar.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *





"À Beira do Caminho" é um filme de Breno Silveira (responsável pelo sucesso "2 Filhos de Francisco") que lembra muito o inesquecível "Central do Brasil", de Walter Salles. No filme de Silveira, um caminhoneiro amargurado (João Miguel, ótimo como sempre) tem que conviver com um menino, que irá transformar sua vida e amolecer seu coração. O filme consegue emocionar em alguns momentos, conta com um ótimo elenco (em que se destaca também Dira Paes) e a trilha sonora é pontuada por músicas de Roberto Carlos (não sei dizer exatamente se aqui isso é um ponto positivo ou negativo, pois as músicas não acrescentam muito aos momentos emotivos do filme). É um filme competente, um road movie com boas locações pelo Brasil (incluindo até minha querida Chapada Diamantina) mas nada imperdível.

Cotação do Janela Indiscreta: * * *




Nós Precisamos mais do que só o Glee


Blaine and Kurt, personagens gays do seriado Glee
We Need More Than Glee

http://www.huffingtonpost.com/Amelia/we-need-more-than-glee_b_1836158.html

Nos últimos anos, mais e mais programas têm incluído personagens gays, o que é uma boa coisa. Nós temos Glee, Modern Family, Smash, Pretty Little Liars, American Horror Story e muitos outros. Mas de todos esses programas de TV, o único que meu filho pode assistir (por causa do aviso parental) é Glee. Quando meu filho de 7 anos de idade me disse que ele é gay, a última coisa que eu pensei foi sobre televisão. 


1 de set de 2012

A restauração desastrosa que virou "arte"


"Ecce Homo" restaurado

Cópia infiel
Pai, perdoai a Cecilia. Ela não sabe como se faz...

26 de agosto de 2012
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,copia-infiel,921837,0.htm

JULIANA SAYURI - O Estado de S.Paulo

Ops! Essa é a primeira impressão ao contemplar o afresco Ecce Homo, do pintor espanhol Elías García Martínez (1858-1934), "restaurado" amadoramente por Cecilia Giménez, uma senhorinha octogenária que conquistou fama internacional instantânea nessa semana. Talvez ela esperasse reações elogiosas como um belo voilà! ou um pomposo bravo! Predominaram, porém, feições boquiabertas: de um lado, artistas e carolas escandalizadas com o rosto de Jesus Cristo desfigurado a ponto de se assemelhar a um simpático macaquinho; de outro, trendsetters fanfarrões e leigos animados com os chistes espirituosos espalhados nas redes sociais mundo afora.

29 de ago de 2012

Rock of Ages


Tom Cruise arrasa em "Rock of Ages"
Filme retrata rock dos anos 80 e diverte mais quando não se leva a sério 


"Rock of Ages" é um musical que retoma vários "clássicos" dos anos 80, músicas chicletes que estão tatuadas em nossa memória. Só para citar alguns exemplos, "More than Words" (Extreme), "I Wanna Rock" e "We're not Gonna Take it" (Twisted Sister), "Here I go Again" (Whitesnake), "We Built this City" (Starship) e "Wanted Dead or Alive" (Bon Jovi). Mas o grande destaque do musical é a música "Don't Stop Believin' " (Journey), que é uma das músicas mais conhecidas cantadas pelo pessoal do seriado Glee.

24 de ago de 2012

O Vingador do Futuro


Colin Farrell em papel que foi de Arnold Schwarzenegger
Refilmagem de clássico da ficção científica dos anos 90, "O Vingador do Futuro" desperta desejo de rever o original, mas também tem seus méritos


"O Vingador do Futuro" é uma refilmagem do clássico de ficção científica homônimo (Total Recall, 1990) dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Arnold Schwarzenegger no papel de Douglas Quaid. Os estúdios de cinema estão fazendo diversos remakes, nem sempre conseguem um objetivo satisfatório, mas despertam o interesse dos fãs das versões originais. Quando vi o trailer dessa refilmagem, fiquei ansioso para ver o filme, já que "O Vingador do Futuro" é um dos meus filmes de ficção científica preferidos e a direção de arte dessa nova versão parecia ser impressionante.

23 de ago de 2012

360


Maria Flor e Anthony Hopkins em cena de "360"
Novo longa de Fernando Meirelles pretende mostrar como a vida de desconhecidos pode estar entrelaçada

O novo longa de Fernando Meirelles ("Cidade de Deus"), "360" é uma história com diversos personagens, cujas histórias se entrelaçam. Para tanto, a história atravessa diversos países, como Áustria, Inglaterra, França e Estados Unidos e reune elenco de diversas nacionalidades, entre elas os brasileiros Maria Flor ("Xingu") e Juliano Cazarré ("Febre do Rato"). Em entrevista, Meirelles lembra que os personagens brasileiros não são inserção sua, mas já estavam presentes no roteiro de Peter Morgan ("A Rainha").

16 de ago de 2012

A Tentação


Charlie Hunnan e Patrick Wilson estabelecem um interessante
embate ideológico e dramático em "A Tentação"
Ao contrário do provérbio, "A Tentação" é um filme em que religião se discute

Sempre é louvável quando um filme aborda um tema que não é muito comum no cinema. É o caso desse "A Tentação" (The Ledge, 2011), do diretor e roteirista Matthew Chapman.  No caso, aqui o tema a ser discutido é a religião. Se você acredita que religião e política não se discutem, talvez seja a hora de rever esses conceitos, uma vez que muito de nossas vidas é regulada por esses dois assuntos. No filme, Gavin, um homem ateu (Charlie Hunnan, da versão inglesa de Queer as Folk) se envolve cada vez mais com um casal de vizinhos religiosos (Liv Tyler e Patrick Wilson). O filme também poderia ser resumido de outra forma: um policial que acaba de viver uma péssima descoberta sobre sua vida familiar tem que lidar com um homem, Gavin, que está no alto de um prédio, prestes a se jogar. No entanto, a primeira story-line resume o que filme tem de melhor.

9 de ago de 2012

Howl


James Franco, como Ginsberg, falando sobre seus pensamentos
Filme sobre Allen Ginsberg disseca o poema Howl misturando documentário, animação e filmes de julgamento

Allen Ginsberg é um dos poetas do movimento beat norte-americano. Se você assistiu recentemente o filme "Na Estrada", de Walter Salles, sabe quem são eles. Ginsberg aparece no filme de Salles, com o nome de Carlo Marx e interpretado por Tom Sturridge. A literatura beat, famosa pelas obras de Ginsberg, Jack Kerouac (autor de "On the Road", obra que inspirou o filme de Salles) e William S. Burroughs (autor de "Naked Lunch", também adaptado para o cinema por David Cronemberg e no filme de Salles interpretado por Viggo Mortensen), privilegiou uma forma de tentar retratar a realidade como ela é, sem pudores e procurando mostrar a liberdade, a loucura e o espírito errante de algumas pessoas. Leia mais sobre o autor em artigo da revista Cult.

4 de ago de 2012

Bem-Amadas


Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni em cena de "Bem-Amadas"
Em "Bem-Amadas" (Les bien-aimés, 2011), o diretor francês Christophe Honoré retorna ao musical do delicioso "Canções de Amor", de 2007.

Se em "Canções de Amor" éramos surpreendidos pelas canções, que subitamente eram interpretadas pelo elenco em situações cotidianas, aqui o efeito é repetido. Alex Beaupain, o autor das músicas do filme anterior, repete a parceria com Honoré. Mas se em "Canções de Amor", as músicas eram lindas e colaboravam para a intensidade dramática do filme, aqui elas no geral não possuem a mesma qualidade.

21 de jul de 2012

Na Estrada


"Na Estrada" é um filme que trata do desejo de viajar. Não somente sobre uma viagem, mas sobre várias, e como elas modificaram a vida (e o relacionamento) de dois amigos e deram origem a uma obra de arte. A arte no caso é o livro "On the Road", de Jack Kerouac, clássico da literatura beat norte-americana. Walter Salles, diretor de "Na Estrada", entusiasta de filmes de viagem, já dirigiu road movies como "Central do Brasil" ou "Diários de Motocicleta". Conforme Walter Salles declarou em Cannes, "quanto mais você se distancia das raízes, do ponto inicial, mais você ganha perspectiva sobre quem você é, de onde veio e, eventualmente, quem quer ser."

9 de jul de 2012

O Espetacular Homem-Aranha


Quando assisti ao trailer de "O Espetacular Homem-Aranha" nos cinemas, achei estranho que o filme recontava a origem desse super-herói, sendo que o outro filme, dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire, já fazia isso bem. Ao invés de fazer o Homem-Aranha 4, a Sony anunciou que iria lançar um novo Homem-Aranha, com nova equipe e elenco. Talvez uma boa história possa ser contada várias vezes, desde que se mude algumas coisas. Aqui, por exemplo, o Peter Parker de Andrew Garfield não é tão nerd quanto o de Maguire (anda de skate além de fotografar) e seu interesse romântico não é a Mary Jane, e sim a Gwen Stacy de Emma Stone. As mudanças não param por aqui, algumas para melhor, outras para pior.

No que diz respeito às piores, é preciso abandonar de vez qualquer apelo à verossimilhança no início do filme, quando em particular vemos uma adolescente de 17 anos responsável por uma função de importância em uma empresa, ou o protagonista entrando ridiculamente fácil em áreas secretas e cheias de tecnologia dessa mesma empresa. No que diz respeito às melhores, todo o envolvimento entre Peter e Gwen é desenvolvido de forma interessante e cativante, também em grande parte ao talento de seus intérpretes, e certos detalhes como manter a personalidade secreta do herói são abandonados logo para irmos direto ao que interessa.

26 de jun de 2012

True Blood - 5a. Temporada

Christopher Meloni interpreta o guardião da Autoridade
26/06/2012 - 10h57

Vampirão de "True Blood" é inspirado em políticos dos EUA

FERNANDA EZABELLA
DE LOS ANGELES

Alan Ball, criador de "True Blood", está no set de filmagens, no restaurante Mer-lotte's, onde a protagonista Sookie Stackhouse (Anna Paquin) trabalha de garçonete.

Ele abre a geladeira repleta de cervejas e anuncia aos visitantes: "Hoje não tem Tru Blood", diz, sobre a bebida feita de sangue sintético tomada no seriado.

25 de jun de 2012

Febre do Rato


CRÍTICA
Em seu novo filme, Cláudio Assis evolui seu cinema marginal

Menos pessimista que seus filmes anteriores, "Febre do Rato" faz um filme de tolerância e de alternativas

por Fábio Pastorello


O diretor pernambucano Cláudio Assis é uma figura polêmica do cinema brasileiro. Andando na contracorrente da maior parte da produção de cinema brasileiro, ele critica a maior parte dos cineastas brasileiros, principalmente aqueles que copiam as fórmulas do cinema norte-americano. Diretor de "Amarelo Manga" (2002) e "Baixio das Bestas" (2006), ele retorna com "Febre do Rato", filme que retrata um personagem, assim como seu cinema, marginal e que atua fora dos padrões artísticos mais reconhecidos.

24 de jun de 2012

Sombras da Noite


Tim Burton volta em comédia sobre vampiros
Nova parceria de Burton com Johnny Depp resulta em filme ora engraçado, ora desinteressante


por Fabio Pastorello


Era esperado que o diretor Tim Burton, em geral responsável por filmes sombrios e góticos, resolvesse contar uma história de vampiros. Para tanto, escolheu uma série de TV antiga, chamada "Dark Shadows", da qual tanto ele como Johnny Depp (da série "Piratas do Caribe") eram fãs. Outra fã da série, Michelle Pfeiffer (que fez o papel de Mulher Gato em "Batman - O Retorno", também de Burton), pediu ao diretor para participar de "Sombras da Noite" (Dark Shadows, 2012).

21 de jun de 2012

Kaboom



CRÍTICA
Quanto mais absurdo melhor
No filme Kaboom, Araki busca estética ultrapop em filme diverso e divertido
por Fábio Pastorello

Em uma das primeiras cenas do filme, o protagonista de Kaboom (Kaboom, 2010), Smith (Thomas Dekker) é questionado sobre sua tendência sexual. Smith afirma então que não acredita em rótulos sexuais. O filme de Gregg Araki segue nessa mesma linha de seu protagonista, aposta em tantas vertentes que torna-se difícil classificá-lo como uma comédia GLS ou como uma ficção científica ou como um filme sobre descobertas sexuais. E justamente nessa diversidade que o diretor encontra seu grande diferencial.

Deus da Carnificina


CRÍTICA
Polanski retorna entre quatro paredes em teatro bem filmado

Embora assumidamente teatral, "Deus da Carnificina" tem virtudes de cinema
por Fábio Pastorello

As adaptações de peças de teatro para o cinema sempre procuram disfarçar aspectos característicos do teatro que no cinema não funcionam bem, como a limitação em um único espaço físico, o excesso de diálogos ou a interpretação não naturalista dos atores. Em "Deus da Carnificina"(Carnage, 2011), o diretor Roman Polanski parece não ter se preocupado com essas características teatrais, e mesmo assim conseguiu fazer um bom cinema.

18 de jun de 2012

Prometheus


Prometheus é um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos. Apesar disso, o filme tem diversos pontos problemáticos.

O filme representa o retorno do diretor Ridley Scott à ficção científica, que no passado rendeu os excelentes "Blade Runner - O Caçador de Andróides" e "Alien - O Oitavo Passageiro". Inicialmente, é preciso advertir que qualquer expectativa desse filme relacionada ao filme Alien pode ser frustrada. Apesar de Prometheus ser algo próximo de um prequel (filme que antecede outro), Alien era um thriller de terror, enquanto "Prometheus" está mais próximo de questões científicas e filosóficas. Isso não é um demérito do filme, pelo contrário, o fato de não copiar a franquia já bem sucedida e optar por uma trama original é louvável. Mas infelizmente, não elimina aquela decepção de não encontrar em Prometheus, sequências de ação e terror tão inesquecíveis como as de Alien.

17 de jun de 2012

Apenas uma Noite

"Apenas uma Noite" é um filme que mostra como é frágil e delicado um casamento. Em particular, acompanha as dúvidas e inseguranças de um casal que precisa lidar com possibilidades de traição.

Em início particularmente interessante, durante uma festa, Joanna (personagem de Keira Knightley, de "Um Método Perigoso" e da série "Piratas do Caribe") nota pouco a pouco um possível interesse do marido Michael (Sam Worthington, de "Avatar") por outra mulher, em cena amarrada por uma bela trilha sonora minimalista. Posteriormente, o marido viaja e os dois passam a viver situações semelhantes, em que ambos lidam com a possibilidade de traição. Enquanto acompanhamos os dilemas de Joanna, o filme enriquece bastante, com trama e atuações intensas. Já na tentação de Michael pela colega de trabalho Laura (Eva Mendes), a trama não é tão rica.



3 de jun de 2012

Branca de Neve e o Caçador


Essa adaptação da famosa estória da Branca de Neve funciona bem melhor do que a versão também exibida esse ano e protagonizada por Julia Roberts. Agora o papel da bruxa má é de Charlize Theron, que não está tão divertida como Julia Roberts, numa atuação bem mais dramática (embora eficiente na proposta do filme).

Os méritos dessa versão ficam mesmo para o roteiro esperto, que soube utilizar muito melhor os elementos da fábula original (a maçã, os anões, o beijo do príncipe, etc.) e para todo o trabalho de fotografia/direção de arte/figurino, que criam um clima gótico e assustador para a história. Aliás, se houver um demérito dessa versão, é que ela é mais pesada e pode ser assustadora para crianças menores. Kirsten Stewart ("Crepúsculo") e Chris Hemsworth ("Thor") estão bem em seus papéis e o filme ainda conta com a participação de atores de prestígio no papel dos anões, como Ian McShane ("Piratas do Caribe"), Toby Jones ("Capitão America"), Ray Winstone ("Beowulf") e Bob Hoskins ("Uma Cilada para Roger Rabbit").

COTAÇÃO DO JANELA INDISCRETA: * * * 1/2


29 de mai de 2012

O Exótico Hotel Marigold


Essa simpática comédia tem como maior diferencial o elenco e a temática de terceira idade, com renomados atores como Judi Dench (ganhadora do Oscar por "Shakespeare Apaixonado", de John Madden, que também dirige esse filme), Maggie Smith (da série Harry Potter, mas também ganhadora de dois Oscar) e Tom Wilkinson ("Entre Quatro Paredes"). O filme conta as histórias desses senhores e senhoras que, após diversos problemas na Inglaterra, resolvem morar na Índia em um atraente (pelo menos no panfleto) hotel para idosos.

O elenco é realmente o que destaca essa produção, mas também é ficar atento para como a história trabalha a questão das expectativas e realizações durante uma viagem, ainda mais em um país exótico. Cada personagem irá reagir de um jeito, alguns se modificam com a trajetória, enquanto outros se mantêm fiéis ao seu antigo espírito. O filme pretende mostrar uma Índia ao mesmo tempo caótica (representada pela figura do gerente do hotel, interpretado por Dev Patel, de "Quem Quer ser um Milionário") e cativante (na animação de seus habitantes). O filme poderia explorar melhor o cenário da viagem como modificador da trajetória de alguns personagens, que por vezes parecem forçadas ou gratuitas, mas existem histórias emocionantes e bem desenvolvidas, como a do juiz que retorna para reencontrar um amor do passado; do marido desajeitado que frequentemente é hostilizado pela esposa; e da senhora racista que é obrigada a ser tratada pelas pessoas que discrimina (Maggie Smith, com os melhores momentos do filme).

Minha Cotação: * * * 1/2


28 de mai de 2012

Corpos Presentes


Antony Gormley – Corpos Presentes

A mostra inédita ocupa os três andares e o subsolo do prédio do CCBB, com o objetivo de traçar um panorama da carreira de Antony Gormley. A exposição ilustra a diversidade da obra do artista inglês e conta com importantes instalações, além de modelos, maquetes, gravuras, fotografias e vídeos nunca apresentados no Brasil. A intrigante instalação Event Horizon (Horizonte de Eventos) – já montada em Londres e Nova York – reúne no entorno do CCBB 31 esculturas de corpos em tamanho real ocupando espaços públicos.

http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?codigoEvento=4666


12 Mai a 15 Jul
Local: Subsolo, térreo, mezanino, 1º, 2º e 3º andares | CCBB SP
Horário: Terça a domingo



23 de mai de 2012

O Corvo

Edgar Allan Poe é um dos escritores precursores da literatura de mistério nos Estados Unidos. Mas nunca encontrou grandes adaptações no cinema, sendo que o maior destaque fica para as obras trash de Roger Corman nos anos 60. "O Corvo", filme de James McTeigue ("V de Vingança"), parte da premissa de que um assassino está imitando os crimes da obra de Poe, e o escritor (interpretado por John Cusack, de "Alta Fidelidade") é chamado para colaborar na investigação. O filme tenta recriar o clima das obras de Poe, seja através das mortes bizarras ou do clima lúgrubre, mas peca no desenvolvimento psicológico dos personagens, que beira o superficial. Acaba se tornando um filme de serial killer tradicional e com os habituais clichês do gênero, ao invés de todo o potencial que o legado de Poe poderia inspirar.

Minha Cotação: * * *

22 de mai de 2012

Dois Coelhos

CRÍTICA | FABIO PASTORELLO
O cinema que empolga mais do que desanima

"Dois Coelhos" aposta em efeitos visuais e numa trama engenhosa
por Fábio Pastorello

No Brasil, desde o surgimento de uma ideia até a finalização da produção de um filme, podem se passar muitos anos. As dificuldades na realização de um filme são enormes, e vão desde a captação de recursos até a distribuição. Imagine um filme ainda que envolve diversos efeitos visuais, um grande trabalho de pós produção e um roteiro que de tão engenhoso poderia beirar o confuso. Até a conclusão da realização do filme, é possível que a ideia original tenha se perdido em algum momento do projeto, e o diretor esteja finalizando aquele filme sem a mesma paixão com que concebeu sua ideia original.

Não é o caso de "Dois Coelhos" (2012). O filme de Afonso Poyart, diretor santista estreante no cinema, pode ser acusado de ser excessivo em suas invenções visuais ou repleto de influências estrangeiras, como no estilo cinematográfico de Guy Ritchie e Quentin Tarantino (entre outros diretores) ou no uso de trilha sonora internacional. Mas nunca será acusado de ser um filme morno.

14 de mai de 2012

As mídias entram em guerra


PARTE 1: O CASO VEJA

MÍDIA, DEMÓSTENES & CACHOEIRA
O desafio da mídias

Por Luís Nassif em 08/05/2012 na edição 693
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed693_o_desafio_da_midias


Nesses tempos de internet, redes sociais, e-mails, uma das questões mais interessantes é a tentativa de monitorar a notícia por parte de alguns grandes veículos de mídia.

Refiro-me à cortina de silêncio imposta pelos quatro grandes grupos de mídia – Folha, Estado, Abril e Globo – às revelações sobre as ligações perigosas do Grupo Abril – da revista Veja – com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A coragem de Obama


União homossexual
10.05.2012 09:52


A coragem de Obama está em falta no Brasil
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-coragem-de-obama-esta-em-falta-no-brasil/#.T6vOiYV9uF0.facebook

O ato de Obama foi corajoso, tomado em um momento de pressão após o plebiscito que vetou o casamento de homossexuais na Carolina do Norte. Foto: AFP

12 de mai de 2012

Janela Indiscreta


Há algum tempo estou devendo uma crítica do meu filme predileto de todos os tempos, e que também deu nome a esse blog, o clássico de Alfred Hitchcock, "Janela Indiscreta". Escrevi esse texto como exercício para um curso de crítica que estou fazendo, então essa é apenas a primeira versão. Achei interessante colocá-la para depois avaliar como ficarão as próximas versões após o feedback do professor. Se você tiver algum comentário, sugestão, ou algo que não gostou ou que deveria ser mencionado, não deixe de comentar.

Minha Cotação: * * * * *





CRÍTICA | BLOG UMA JANELA INDISCRETA

Uma janela para o cinema
por Fabio Pastorello

Janela Indiscreta
(Rear Window, 1954)
de Alfred Hitchcock

Ao assistirmos um filme, somos transportados para outra realidade: a vida de outras pessoas, mesmo que apenas seja representação, nos faz perceber e conhecer um pouco melhor a nossa. Essa é a essência desse filme, por muitos considerado o melhor roteiro de um filme de Hitchcock. Rivalizando com "Um Corpo que Cai" (Vertigo, 1958), está entre os melhores filmes do diretor.

L. B. Jefferies (James Stewart), o protagonista do filme, sofre um acidente durante seu trabalho como fotógrafo (todas informações que Hitchcock conta habilmente apenas através de imagens de objetos no apartamento dele). Imobilizado, ele encontra na vida dos vizinhos, observada através da janela de seu apartamento, o entretenimento para os próximos dias. Enquanto acompanhamos, junto com Jefferies, o que acontece com os vizinhos, também conhecemos um pouco mais de sua vida e de seu relacionamento com a encantadora Lisa (Grace Kelly).

Como bem retrata Hitchcock para François Truffaut no livro "Hitchcock/Truffaut Entrevistas", o homem que olha para fora, o que ele vê e como ele reage são três pedaços desse filme que representam "o que conhecemos como a mais pura expressão da ideia cinematográfica". Nesse papel de voyeur, que Truffaut salienta ser também nosso papel quando vemos um filme, Hitchcock irá contrapor o que acontece nesses três pedaços.

Inicialmente, temos o fotógrafo que namora Lisa mas hesita em se casar com ela. Em contraponto, a vida dos vizinhos lhe apresenta um painel de tipos e de relações com o casamento, desde os recém-casados até o marido que, suspeita-se, tenha assassinado a esposa. Por fim, temos todo um esforço desse fotógrafo para comprovar à namorada e aos amigos que houve realmente um assassinato, talvez uma derivação da necessidade de Jefferies comprovar sua tese de como os casamentos podem ser mal sucedidos. No entanto, quanto mais avança nessa investigação sobre o suposto assassinato, mais a esperta Lisa consegue aumentar sua cumplicidade com ele e provar que ela pode fazer parte do seu mundo.

Esses três pedaços que Hitchcock identifica caminham, afinal, de formas peculiarmente irônicas e divergentes. Quanto mais Jefferies avança no casamento problemático do vizinho, mais ele se envolve com sua potencial futura esposa. Como se o melhor conhecimento da vida dos vizinhos levasse Jefferies a também se conhecer melhor, não pelas semelhanças, mas justamente pelas diferenças. Como todos nós, ao vermos esse genial filme que traduz o que é a experiência do cinema, pensamos: será que passaríamos o dia observando a vida dos outros? Será que, como Jeff, procuramos nos outros comportamentos a corroborar teses que acreditamos? O quanto de nossas vidas foi construído justamente pelo contato com as vidas que observamos? O cinema é mesmo uma janela, não somente para o outro, mas também para nós mesmos.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Raymond Burr, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Riter, Judith Evelyn.
Produção: James C. Katz
Roteiro: John Michael Hayes
Fotografia: Robert Burks
Trilha Sonora: Franz Waxman
Duração: 112 min.
Ano: 1954
País: EUA
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Paramount Pictures / Patron Inc.
Classificação: 14 anos.


9 de mai de 2012

Paraísos Artificiais

Sabe aqueles filmes que você sai da projeção dizendo como a fotografia é linda? Então, "Paraísos Artificiais" tem a fotografia belíssima, cada enquadramento é preciso, o que envolve não somente as opções de filmagem, mas também toda a escolha de cenários/externas e direção de arte. Acho até chato falar isso, pois eu gosto muito de trabalhos bonitos assim e o que mais me atraiu para essa produção foi a excelência técnica. Mas nesse filme o trabalho de fotografia e direção de arte pareceram fakes, de fato um "paraíso artificial". Tanto esse trabalho estético como a história que pretende contar, que muitos críticos escreveram como uma história que não julga personagens (discordo totalmente, para cada momento hedonista dos personagens existe uma consequência ruim posteriormente), deixam o filme menos espontâneo e mais distante da realidade dos jovens que se propõe a contar. Ainda assim, o filme tem vários méritos, desde o elenco até mesmo o roteiro, que fora a questão do julgamento de seus personagens, tem uma boa dramaticidade. 

Minha Cotação: * * * 1/2

4 de mai de 2012

Drive

Uma subversão dos filmes de ação, premiada com o prêmio de melhor direção em Cannes. Como bem salienta a crítica abaixo, ao invés de cenas de perseguição de carros barulhentas com trilha sonora alta, o filme apresenta uma sequência em que a serenidade é o principal elemento. A trilha sonora baixinha, minimalista. Logo no início temos o que "Drive" irá nos apresentar, e que também representa um pouco da forma como o protagonista, interpretado por Ryan Gosling, enfrenta os acontecimentos que lhe sucedem. Até uma cena de beijo, acontece de forma calculada e vagarosa, salientada por um slow motion, embora em momento tenso. Apesar dessa abordagem diferente tanto do diretor como de seu personagem, a violência dos homens está lá, inevitável e determinista, tirando o protagonista do controle da vida (e dos carros) que até então ele possuía.

Minha Cotação: * * * *

3 de mai de 2012

Sete Dias com Marilyn


Sou particularmente interessado por filmes que mostram bastidores de filmagem, embora nesse caso os bastidores todos girem em torno da personalidade de Marilyn Monroe. Mas acho muito curioso ver tudo que está por trás de uma filmagem, como os conflitos entre os atores, os atrasos ou como um filme nasce e ganha vida. Fora isso, o filme ainda mostra como uma atriz famosa e um ícone da sensualidade da época, era problemática e ainda usava as pessoas para melhorar seu ego, em ótima interpretação de Michelle Williams, indicada ao Oscar. Como dizia Alfred Hitchcock, Marilyn tinha o sexo estampado no rosto, por isso é contraditório que ela fosse tão insegura. O filme ainda nos brinda com o Laurence Olivier de Kenneth Branagh.

Minha Cotação: * * * 1/2


29 de abr de 2012

Os Vingadores


Sabe quando você assiste um filme de super-heróis e no final da projeção fica aquela sensação de que o herói não foi bem aproveitado? Isso não existe em "Os Vingadores". Apesar de serem vários heróis reunidos, todos são muito bem trabalhados e todos têm momentos deliciosos de humor e ação. O filme conta com roteiro inspirado, que além de vários diálogos e situações engraçadas, também funciona quando precisa mostrar o heroísmo dos personagens. Praticamente todos os super-heróis duelam entre si e o final é sensacional. Realmente, um filme que faz resgatar nossa admiração pelos super-heróis, que tínhamos quando éramos crianças.

Minha Cotação: * * * * 1/2

27 de abr de 2012

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios

Admirável trabalho de direção de Beto Brant ("Os Matadores") e Renato Ciasca, que conduz uma história aparentemente banal, de forma inovadora. O que mais chama a atenção é o trabalho de direção de fotografia, através do uso da steadycam e de planos sequência, que resulta em imagens que parecem flutuar, se movimentando entre os personagens e as ações. Além disso, também merecem destaque a direção de arte (a composição da casa do protagonista Cauby é particularmente muito interessante) e a interpretação dos atores. Gustavo Machado está excelente e Camila Pitanga alterna entre diversos momentos com talento, em interpretação elogiada, embora para mim ela deixe a desejar em algumas (poucas) cenas. Não sei se gostei da interpretação do Gero Camilo ou não sei se gostei do personagem.

O problema do filme para mim parece ser o roteiro, apesar de escrito pelo prestigiado Marçal Aquino (li uma entrevista dele recentemente e gostei muito dele). Mas realmente não gostei de alguns diálogos e de algumas situações bastante clichês, sem contar de todas as intervenções sobre a situação ecológica no Pará, que não conversam com a história que está sendo contada. Ainda bem que no final do filme, a história dá uma guinada e se transforma de certa forma, que todo o filme cresce. O final é encantador, ainda mais porque a fotografia tem papel fundamental. 

Minha Cotação: * * * *

23 de abr de 2012

Weekend


Dois personagens gays que acabam de se conhecer, passam o fim de semana entre momentos de sexo, drogas e muitos diálogos. Assim como os fascinantes "Antes do Amanhecer" e "Antes do Pôr-do-Sol", é através dos diálogos interessantes e fluidos que o filme "Weekend" consegue revelar tanto dos seus personagens e de forma tão natural. Colabora que os dois atores estejam ótimos, e os temas abordados sejam tão atuais, como a forma como os gays são aceitos na sociedade, como os gays se aceitam ou como lidam com relacionamentos.

Em determinado momento do filme, um dos personagens apresenta uma tese de que o momento em que duas pessoas estão se conhecendo é um momento em que elas não são quem elas realmente são (pois estão querendo impressionar o outro) nem quem elas gostariam de ser, mas algo entre esses dois estágios. É nesse universo complexo em que o filme mergulha, em dois personagens buscando esse equilíbrio entre ser ou parecer, seja para o outro ou seja até mesmo para a sociedade ou para os amigos e familiares. E no decorrer desses diálogos, iremos pouco a pouco descobrir essas essências e aparências, não só dos personagens, mas de todos nós. 

Nota: A crítica do New York Times faz um interessante panorama do cinema gay nos últimos anos.

Minha Cotação: * * * * 1/2

19 de abr de 2012

Xingu


Os irmãos Villas-Bôas saem em busca de aventura, em busca de terras nunca antes visitadas. Mais tarde, esse prazer de ser desbravador não será tão agradável. O filme Xingu trabalha sobre esse tema, o do progresso versus a preservação da natureza, das culturas locais, dos índios. O progresso avança impiedoso eliminando as diferenças, os lugares intocados, as culturas e povos mais fracos. Como lidar com isso?

A trajetória desses irmãos é contada, desde seus aspectos mais humanos, até seus projetos mais nobres, como a tentativa de preservar os povos indígenas e a criação do Parque Nacional do Xingu. Num país como o Brasil, nada mais importante do que discutir justamente essa questão, a do confronto entre o progresso e a preservação. Pode existir ordem (e justiça) nesse progresso?

No meu caso, interessa ainda mais pelo contato constante que tive com lugares que conhecemos no Brasil. Lugares que visitamos numa primeira vez, e ao voltarmos, já não são os mesmos, ora descaracterizados, ora perderam o encanto natural. Não que eu venha aqui posar de defensor da vida selvagem, que eu gosto de conforto, admito, mas existem lugares que conseguem aliar o desenvolvimento local sem que ele interfira negativamente nos aspectos mais peculiares de um lugar.

Sobre o filme em si, além dos aspectos relevantes que aborda, infelizmente achei a narrativa um pouco truncada e não tão emocionante como poderia. Algumas cenas isoladas são impactantes, mas no conjunto fica aquém de uma obra empolgante ou genial. Mas de qualquer forma, é um grande filme, que merece ser visto.  

Minha Cotação: * * * *