23 de fev de 2012

Cabaret


Com tantos musicais em cartaz, e todos caríssimos, fica difícil assistir todos, mas um espetáculo com a Claudia Raia não dá pra perder. Ao contrário do que eu imaginava, o espetáculo sobrevive muito bem sem ela. Jarbas Homem de Melo, que faz o mestre de cerimônias do clube onde Sally Bowles se apresenta, está ótimo. Os dançarinos estão excelentes, nos poucos números musicais em que são exigidos. O cenário é simples, mas impactante e os figurinos são excelentes. Com Claudia Raia, porém, o espetáculo fica melhor, principalmente nas cenas em que ela exibe o talento cômico em uma personagem bem interessante. Nas cenas de canto, como em outras performances, ela é esforçada, mas em alguns momentos compromete. Enfim, teria gostado um pouco mais do espetáculo se os números musicais fossem melhores, poucos são realmente ótimos, alguns são estranhos ou chatos. Mas no geral, é uma peça envolvente e emocionante.

Minha Cotação: * * * *


CRÍTICA | FOLHA DE SÃO PAULO

Com Claudia Raia, montagem de "Cabaret" em SP arrebata público

ALCINO LEITE NETO
EDITOR DA PUBLIFOLHA
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1011201114.htm

Houve uma proliferação de musicais em São Paulo, mas até agora ninguém tinha ousado enfrentar um dos melhores espetáculos no gênero: "Cabaret". A tarefa coube a Claudia Raia, que capitaneia a versão em cartaz na cidade, materializando uma obsessão de sua vida: encarnar a dançarina Sally Bowles.

"Cabaret" estreou em 1966 na Broadway, com enorme sucesso. Da primeira montagem, fez parte, inclusive, a grande atriz e cantora austríaca Lotte Lenya, intérprete de Brecht no tempo da República de Weimar (1919-1933) -a mesma época, aliás, em que se passa a trama do musical.

Aqui, a montagem é bastante bem-sucedida. O diretor José Possi Neto fez um trabalho eficiente, que arrebata o público, embora suas opções tendam ao convencional, quando não ao acadêmico. A versão em português das letras coube a Miguel Falabella, que achou boas soluções para a maioria delas (em particular, "Mein Herr").

O cenário da peça é terrivelmente banal. A ocultação da orquestra no fundo do palco é uma solução lastimável e privou o musical de um charmoso elemento cênico. Em compensação, o figurino de Fabio Namatame, a partir de arquétipos da lingerie, é espetacular. O fascinante papel de MC (mestre-de-cerimônias do Kit Kat Club) coube a Jarbas Homem de Melo, que, com sua voz e seu físico vigorosos, produziu um tipo mais agressivo, mais sexualizado e com menos sutilezas do que o projetado pelo genial Joel Grey. Apesar do tom histérico, a excepcional performance de Melo domina o espetáculo.

Claudia Raia criou uma Sally Bowles deliciosa, mais madura e inclinada ao patético. Incrível atriz cômica que é, Raia resolve melhor os momentos de ironia e malícia do personagem. Como cantora, não faz feio, mas ainda tem o que aprimorar. Como dançarina, está irresistível.

Certamente, à medida que a temporada avançar, a atriz encontrará a unidade entre as várias faces do seu personagem. O que não lhe falta é paixão nem carisma. Sua presença eletriza a plateia -e suas pernas magníficas deixam todo mundo boquiaberto.




CABARET
QUANDO qui., às 21h; sex., às 21h30; sáb., às 18h e 21h30; e dom., às 18h
ONDE teatro Procópio Ferreira (r. Augusta, 2.823; tel. 0/xx/11/4003-1212)
QUANTO de R$ 40 a R$ 200
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
AVALIAÇÃO ótimo


Claudia Raia estrela musical 'Cabaret'
27 de outubro de 2011 | 21h 15
Ana Rita Martins - Jornal da Tarde
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,claudia-raia-estrela-musical-cabaret,791433,0.htm

No centro do palco enfumaçado, uma Claudia Raia seminua move os quadris sensualmente. Segue em direção à plateia, cantando e lançando olhares enviesados. O número é do espetáculo Cabaret, o 10º musical da carreira da atriz, que estreia hoje no teatro Procópio Ferreira. Nele, ela interpreta Sally Bowles, uma prostituta e dançarina que se apaixona por um escritor. Com 150 figurinos mínimos - Claudia e bailarinos passam o espetáculo praticamente inteiro de lingerie - Cabaret é adaptado de clássico da Broadway que foi para Hollywood em 1972 em longa homônimo imortalizado por Liza Minnelli. "Fui convidada a fazer a Sally em 1989, mas estava comprometida com a novelaRainha da Sucata, conta a atriz. "Passei 20 anos pensando nela até conseguir comprar os direitos autorais."

O espetáculo original é de 1966 e foi escrito pelo dramaturgo Joe Masteroff, que se baseou na peça Eu Sou Uma Câmera, de John Van Druten, inspirada, por sua vez, no livro Adeus, Berlim, de Christopher Isherwood. A história se passa em 1931, num cabaré decadente de Berlim, o Kit Kat Club.

Na versão original, as músicas são de John Kander e Fred Ebb - dupla de compositores dona de musicais de sucesso como Chicago eO Beijo da Mulher Aranha. Na versão brasileira, as adaptações musicais e do texto ficaram por conta de Miguel Falabella. A montagem conta com 21 atores e uma orquestra de 14 músicos. A direção geral é de José Possi Neto.

Atuações marcantes. O papel de par romântico de Claudia Raia estava prometido a Reynaldo Gianecchini, mas como o ator está afastado dos trabalhos artísticos para tratar de um linfoma, foi substituído por Guilherme Magon, de 25 anos, que vinha de Mamma Mia!. "Fiz uma leitura-teste para participar de Cabaret", contou. Claudia Raia e o diretor se encantaram com sua atuação. "A química entre ele e Claudia foi instantânea", diz Possi Neto.

Nas cenas apresentadas a jornalistas, porém, isso não fica óbvio. A interpretação de Magon não chama muito a atenção nos números exibidos. O destaque masculino, na verdade, foi o ator Jarbas Homem de Mello, que interpreta o personagem MC, mestre de cerimônias que narra toda a história ao público. Além de ter uma voz poderosa e dançar com elegância, Jarbas criou uma carga dramática e irônica para o personagem que, em cena, prende a atenção do público. Experiente, participou dos musicais Lés Misérables, O Fantasma da Ópera, Rent e Grease.




Já a trilha sonora ganhou arranjos especiais para reforçar a dramaturgia do espetáculo. Marco Araújo, responsável pela direção musical e vocal, criou duas trilhas sonoras diferentes. "Quando os personagens estão falando de si mesmos, os arranjos são mais complexos e rebuscados", ele explica. "Já nas horas de convivência no cabaré, são simples." A versão brasileira, inclusive, conta com mais músicos (14) do que a original (9). "Quisemos dar um peso maior à orquestra”, diz Araújo.



3 comentários:

  1. Assisti ontem o Cabaret, de Claudia Raia, adorei! Valeu muito a pena... muito parecido com espetaculos da Broadway!

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    1. Os espetáculos no Brasil realmente não têm mais nada a perder para os da Broadway.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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