29 de mai de 2012

O Exótico Hotel Marigold


Essa simpática comédia tem como maior diferencial o elenco e a temática de terceira idade, com renomados atores como Judi Dench (ganhadora do Oscar por "Shakespeare Apaixonado", de John Madden, que também dirige esse filme), Maggie Smith (da série Harry Potter, mas também ganhadora de dois Oscar) e Tom Wilkinson ("Entre Quatro Paredes"). O filme conta as histórias desses senhores e senhoras que, após diversos problemas na Inglaterra, resolvem morar na Índia em um atraente (pelo menos no panfleto) hotel para idosos.

O elenco é realmente o que destaca essa produção, mas também é ficar atento para como a história trabalha a questão das expectativas e realizações durante uma viagem, ainda mais em um país exótico. Cada personagem irá reagir de um jeito, alguns se modificam com a trajetória, enquanto outros se mantêm fiéis ao seu antigo espírito. O filme pretende mostrar uma Índia ao mesmo tempo caótica (representada pela figura do gerente do hotel, interpretado por Dev Patel, de "Quem Quer ser um Milionário") e cativante (na animação de seus habitantes). O filme poderia explorar melhor o cenário da viagem como modificador da trajetória de alguns personagens, que por vezes parecem forçadas ou gratuitas, mas existem histórias emocionantes e bem desenvolvidas, como a do juiz que retorna para reencontrar um amor do passado; do marido desajeitado que frequentemente é hostilizado pela esposa; e da senhora racista que é obrigada a ser tratada pelas pessoas que discrimina (Maggie Smith, com os melhores momentos do filme).

Minha Cotação: * * * 1/2


28 de mai de 2012

Corpos Presentes


Antony Gormley – Corpos Presentes

A mostra inédita ocupa os três andares e o subsolo do prédio do CCBB, com o objetivo de traçar um panorama da carreira de Antony Gormley. A exposição ilustra a diversidade da obra do artista inglês e conta com importantes instalações, além de modelos, maquetes, gravuras, fotografias e vídeos nunca apresentados no Brasil. A intrigante instalação Event Horizon (Horizonte de Eventos) – já montada em Londres e Nova York – reúne no entorno do CCBB 31 esculturas de corpos em tamanho real ocupando espaços públicos.

http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?codigoEvento=4666


12 Mai a 15 Jul
Local: Subsolo, térreo, mezanino, 1º, 2º e 3º andares | CCBB SP
Horário: Terça a domingo



23 de mai de 2012

O Corvo

Edgar Allan Poe é um dos escritores precursores da literatura de mistério nos Estados Unidos. Mas nunca encontrou grandes adaptações no cinema, sendo que o maior destaque fica para as obras trash de Roger Corman nos anos 60. "O Corvo", filme de James McTeigue ("V de Vingança"), parte da premissa de que um assassino está imitando os crimes da obra de Poe, e o escritor (interpretado por John Cusack, de "Alta Fidelidade") é chamado para colaborar na investigação. O filme tenta recriar o clima das obras de Poe, seja através das mortes bizarras ou do clima lúgrubre, mas peca no desenvolvimento psicológico dos personagens, que beira o superficial. Acaba se tornando um filme de serial killer tradicional e com os habituais clichês do gênero, ao invés de todo o potencial que o legado de Poe poderia inspirar.

Minha Cotação: * * *

22 de mai de 2012

Dois Coelhos

CRÍTICA | FABIO PASTORELLO
O cinema que empolga mais do que desanima

"Dois Coelhos" aposta em efeitos visuais e numa trama engenhosa
por Fábio Pastorello

No Brasil, desde o surgimento de uma ideia até a finalização da produção de um filme, podem se passar muitos anos. As dificuldades na realização de um filme são enormes, e vão desde a captação de recursos até a distribuição. Imagine um filme ainda que envolve diversos efeitos visuais, um grande trabalho de pós produção e um roteiro que de tão engenhoso poderia beirar o confuso. Até a conclusão da realização do filme, é possível que a ideia original tenha se perdido em algum momento do projeto, e o diretor esteja finalizando aquele filme sem a mesma paixão com que concebeu sua ideia original.

Não é o caso de "Dois Coelhos" (2012). O filme de Afonso Poyart, diretor santista estreante no cinema, pode ser acusado de ser excessivo em suas invenções visuais ou repleto de influências estrangeiras, como no estilo cinematográfico de Guy Ritchie e Quentin Tarantino (entre outros diretores) ou no uso de trilha sonora internacional. Mas nunca será acusado de ser um filme morno.

14 de mai de 2012

As mídias entram em guerra


PARTE 1: O CASO VEJA

MÍDIA, DEMÓSTENES & CACHOEIRA
O desafio da mídias

Por Luís Nassif em 08/05/2012 na edição 693
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed693_o_desafio_da_midias


Nesses tempos de internet, redes sociais, e-mails, uma das questões mais interessantes é a tentativa de monitorar a notícia por parte de alguns grandes veículos de mídia.

Refiro-me à cortina de silêncio imposta pelos quatro grandes grupos de mídia – Folha, Estado, Abril e Globo – às revelações sobre as ligações perigosas do Grupo Abril – da revista Veja – com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A coragem de Obama


União homossexual
10.05.2012 09:52


A coragem de Obama está em falta no Brasil
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-coragem-de-obama-esta-em-falta-no-brasil/#.T6vOiYV9uF0.facebook

O ato de Obama foi corajoso, tomado em um momento de pressão após o plebiscito que vetou o casamento de homossexuais na Carolina do Norte. Foto: AFP

12 de mai de 2012

Janela Indiscreta


Há algum tempo estou devendo uma crítica do meu filme predileto de todos os tempos, e que também deu nome a esse blog, o clássico de Alfred Hitchcock, "Janela Indiscreta". Escrevi esse texto como exercício para um curso de crítica que estou fazendo, então essa é apenas a primeira versão. Achei interessante colocá-la para depois avaliar como ficarão as próximas versões após o feedback do professor. Se você tiver algum comentário, sugestão, ou algo que não gostou ou que deveria ser mencionado, não deixe de comentar.

Minha Cotação: * * * * *





CRÍTICA | BLOG UMA JANELA INDISCRETA

Uma janela para o cinema
por Fabio Pastorello

Janela Indiscreta
(Rear Window, 1954)
de Alfred Hitchcock

Ao assistirmos um filme, somos transportados para outra realidade: a vida de outras pessoas, mesmo que apenas seja representação, nos faz perceber e conhecer um pouco melhor a nossa. Essa é a essência desse filme, por muitos considerado o melhor roteiro de um filme de Hitchcock. Rivalizando com "Um Corpo que Cai" (Vertigo, 1958), está entre os melhores filmes do diretor.

L. B. Jefferies (James Stewart), o protagonista do filme, sofre um acidente durante seu trabalho como fotógrafo (todas informações que Hitchcock conta habilmente apenas através de imagens de objetos no apartamento dele). Imobilizado, ele encontra na vida dos vizinhos, observada através da janela de seu apartamento, o entretenimento para os próximos dias. Enquanto acompanhamos, junto com Jefferies, o que acontece com os vizinhos, também conhecemos um pouco mais de sua vida e de seu relacionamento com a encantadora Lisa (Grace Kelly).

Como bem retrata Hitchcock para François Truffaut no livro "Hitchcock/Truffaut Entrevistas", o homem que olha para fora, o que ele vê e como ele reage são três pedaços desse filme que representam "o que conhecemos como a mais pura expressão da ideia cinematográfica". Nesse papel de voyeur, que Truffaut salienta ser também nosso papel quando vemos um filme, Hitchcock irá contrapor o que acontece nesses três pedaços.

Inicialmente, temos o fotógrafo que namora Lisa mas hesita em se casar com ela. Em contraponto, a vida dos vizinhos lhe apresenta um painel de tipos e de relações com o casamento, desde os recém-casados até o marido que, suspeita-se, tenha assassinado a esposa. Por fim, temos todo um esforço desse fotógrafo para comprovar à namorada e aos amigos que houve realmente um assassinato, talvez uma derivação da necessidade de Jefferies comprovar sua tese de como os casamentos podem ser mal sucedidos. No entanto, quanto mais avança nessa investigação sobre o suposto assassinato, mais a esperta Lisa consegue aumentar sua cumplicidade com ele e provar que ela pode fazer parte do seu mundo.

Esses três pedaços que Hitchcock identifica caminham, afinal, de formas peculiarmente irônicas e divergentes. Quanto mais Jefferies avança no casamento problemático do vizinho, mais ele se envolve com sua potencial futura esposa. Como se o melhor conhecimento da vida dos vizinhos levasse Jefferies a também se conhecer melhor, não pelas semelhanças, mas justamente pelas diferenças. Como todos nós, ao vermos esse genial filme que traduz o que é a experiência do cinema, pensamos: será que passaríamos o dia observando a vida dos outros? Será que, como Jeff, procuramos nos outros comportamentos a corroborar teses que acreditamos? O quanto de nossas vidas foi construído justamente pelo contato com as vidas que observamos? O cinema é mesmo uma janela, não somente para o outro, mas também para nós mesmos.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Raymond Burr, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Riter, Judith Evelyn.
Produção: James C. Katz
Roteiro: John Michael Hayes
Fotografia: Robert Burks
Trilha Sonora: Franz Waxman
Duração: 112 min.
Ano: 1954
País: EUA
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Paramount Pictures / Patron Inc.
Classificação: 14 anos.


9 de mai de 2012

Paraísos Artificiais

Sabe aqueles filmes que você sai da projeção dizendo como a fotografia é linda? Então, "Paraísos Artificiais" tem a fotografia belíssima, cada enquadramento é preciso, o que envolve não somente as opções de filmagem, mas também toda a escolha de cenários/externas e direção de arte. Acho até chato falar isso, pois eu gosto muito de trabalhos bonitos assim e o que mais me atraiu para essa produção foi a excelência técnica. Mas nesse filme o trabalho de fotografia e direção de arte pareceram fakes, de fato um "paraíso artificial". Tanto esse trabalho estético como a história que pretende contar, que muitos críticos escreveram como uma história que não julga personagens (discordo totalmente, para cada momento hedonista dos personagens existe uma consequência ruim posteriormente), deixam o filme menos espontâneo e mais distante da realidade dos jovens que se propõe a contar. Ainda assim, o filme tem vários méritos, desde o elenco até mesmo o roteiro, que fora a questão do julgamento de seus personagens, tem uma boa dramaticidade. 

Minha Cotação: * * * 1/2

4 de mai de 2012

Drive

Uma subversão dos filmes de ação, premiada com o prêmio de melhor direção em Cannes. Como bem salienta a crítica abaixo, ao invés de cenas de perseguição de carros barulhentas com trilha sonora alta, o filme apresenta uma sequência em que a serenidade é o principal elemento. A trilha sonora baixinha, minimalista. Logo no início temos o que "Drive" irá nos apresentar, e que também representa um pouco da forma como o protagonista, interpretado por Ryan Gosling, enfrenta os acontecimentos que lhe sucedem. Até uma cena de beijo, acontece de forma calculada e vagarosa, salientada por um slow motion, embora em momento tenso. Apesar dessa abordagem diferente tanto do diretor como de seu personagem, a violência dos homens está lá, inevitável e determinista, tirando o protagonista do controle da vida (e dos carros) que até então ele possuía.

Minha Cotação: * * * *

3 de mai de 2012

Sete Dias com Marilyn


Sou particularmente interessado por filmes que mostram bastidores de filmagem, embora nesse caso os bastidores todos girem em torno da personalidade de Marilyn Monroe. Mas acho muito curioso ver tudo que está por trás de uma filmagem, como os conflitos entre os atores, os atrasos ou como um filme nasce e ganha vida. Fora isso, o filme ainda mostra como uma atriz famosa e um ícone da sensualidade da época, era problemática e ainda usava as pessoas para melhorar seu ego, em ótima interpretação de Michelle Williams, indicada ao Oscar. Como dizia Alfred Hitchcock, Marilyn tinha o sexo estampado no rosto, por isso é contraditório que ela fosse tão insegura. O filme ainda nos brinda com o Laurence Olivier de Kenneth Branagh.

Minha Cotação: * * * 1/2