23 de ago de 2012

360


Maria Flor e Anthony Hopkins em cena de "360"
Novo longa de Fernando Meirelles pretende mostrar como a vida de desconhecidos pode estar entrelaçada

O novo longa de Fernando Meirelles ("Cidade de Deus"), "360" é uma história com diversos personagens, cujas histórias se entrelaçam. Para tanto, a história atravessa diversos países, como Áustria, Inglaterra, França e Estados Unidos e reune elenco de diversas nacionalidades, entre elas os brasileiros Maria Flor ("Xingu") e Juliano Cazarré ("Febre do Rato"). Em entrevista, Meirelles lembra que os personagens brasileiros não são inserção sua, mas já estavam presentes no roteiro de Peter Morgan ("A Rainha").


Ben Foster vive um maníaco sexual
Como é comum em filmes com diversas tramas paralelas, algumas funcionam melhor do que outras. A história do casal inglês que lida com a infidelidade (Jude Law e Rachel Weisz) é a parte mais fraca do filme, enquanto toda a trama envolvendo os conhecidos de vôo Anthony Hopkins ("O Silêncio dos Inocentes"), Maria Flor e um maníaco sexual vivido por Ben Foster (ele era o mutante com asas de "X-Men: O Confronto Final") é muito interessante, envolvente e original. Aliás, o comportamento da personagem de Maria Flor, uma jovem ousada que resolve dar em cima de um homem que conhece no aeroporto, e o possível "castigo" que ela pode receber por esse comportamento, também podem levar o público a questionar seus preconceitos em relação a uma mulher mais atirada. Uma vez que no cinema (como bem ironiza a franquia "Pânico" de filmes de terror) a mocinha que faz sexo tende a ser castigada pelos roteiristas, o desenlace dessa trama é particularmente interessante. Mas o filme atinge o seu auge mesmo com a sequência envolvendo o motorista russo (o carismático ator russo Vladimir Vdovichenkov), já próximo do final do filme.

O conceito de "360" é mostrar como a vida daquelas pessoas está entrelaçada, e como a ação de uma pessoa pode interferir na vida de outra. O resultado não é tão impactante quando poderia, justamente pela maior parte dessas relações ser baseada em casualidades e não ser forte ou modificadora o suficiente. A proposta não conseguiu ser plenamente executada. De qualquer forma, o filme possui um ótimo elenco, a direção sempre inspirada de Fernando Meirelles e uma bela fotografia de Adriano Goldman, que consegue captar com singularidade os lugares pelos quais a história passa.

Cotação do Janela Indiscreta: * * * 1/2



FICHA TÉCNICA
Diretor: Fernando Meirelles
Elenco: Rachel Weisz, Anthony Hopkins, Jude Law, Ben Foster, Mark Ivanir, Moritz Bleibtreu, Jamel Debbouze, Peter Morgan, Tereza Srbova, Katrina Vasilieva
Produção: Andrew Eaton, Chris Hanley, Danny Krausz, David Linde, Emanuel Michael, Andy Stebbing
Roteiro: Peter Morgan
Fotografia: Adriano Goldman
Duração: 115 min.
Ano: 2011
País: Reino Unido, Áustria, França, Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Revolution Films / BBC Films / Dor Film Produktionsgesellschaft / Muse Productions / O2 Filmes / Gravity Entertainment / Unifilme
Classificação: 16 anos

2 comentários:

  1. Concordo com sua crítica, faltou algo, mas ainda assim é um filme bem feito e bonito. Gostei de todas as histórias e achei interessante o fato de nada muito drástico acontecer, mas ficar a sensação do que poderia ter acontecido. Só o finalzinho, a coisa do Russo x prostituta que achei meio bobagem, mas o resto gostei.

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    1. O Meirelles sempre faz filmes no mínimo bons. Vale sempre a pena conferir.

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