27 de jan de 2013

Hitchcock em 2 filmes


Anthony Hopkins como Alfred Hitchcock
Dois filmes sobre Alfred Hitchcock investigam sua personalidade controversa
"Hitchcock" e "The Girl" guardam algumas semelhanças e algumas diferenças sobre o mestre do suspense, um dos melhores diretores de todos os tempos 
por Fábio Pastorello

Vez por outra o cinema tem essas coincidências: dois ou três filmes são lançados no mesmo ano, sobre o mesmo tema. Fico feliz que chegou a vez de Alfred Hitchcock, o diretor inglês também conhecido como mestre do suspense, realizador de clássicos como "Um Corpo que Cai" e "Janela Indiscreta" e que nunca ganhou um Oscar em toda a sua carreira. Ainda que esses dois filmes recentes não sejam sobre toda a carreira do diretor, mas sobre momentos específicos de sua trajetória, trazem muito de quem era o diretor, ou das polêmicas que envolviam sua personalidade.


26 de jan de 2013

Filmes Assistidos em Janeiro



O filme "As Vantagens de ser Invisível" começa como um típico filme de adolescentes, com o jovem Charlie entrando para o ensino médio e enfrentando dificuldades pela sua dificuldade de se ajustar aos demais jovens. No decorrer de sua trajetória, que deseja ser escritor e inicia uma amizade com um grupo de veteranos também alternativos, o filme alça vôos mais altos, com temas como drogas, homossexualidade, pedofilia e suicídio. Inspirado em seu próprio livro, Stephen Chbosky (roteirista de "Rent") roteirizou e dirigiu esse filme, que conta com ótimo elenco, a começar por Logan Lerman ("Percy Jackson e o Ladrão de Raios"), Emma Watson (da série Happy Potter) e Ezra Miller ("Precisamos Falar sobre Kevin"). Mas o filme também conta com pequenos papéis de Joan Cusack (adoro, mas em papel apagado), Dylan McDermott (da série "American Horror Story") e Nina Dobrev (da série "Diários de Vampiro"). O final é incrível, muito emocionante.

Cotação: * * * *


Muito superior ao primeiro filme, "De Pernas pro Ar 2" é uma comédia muito divertida até sua primeira metade. Existem momentos hilários, em parte graças à sua protagonista, a ótima Ingrid Guimarães. O filme, aliás, é um ótimo veículo para ela. Coisa que aliás o cinema brasileiro às vezes tenta e não consegue: criar bons veículos para seus grandes atores. Após  Alice começar a trabalhar em uma sex shop no primeiro filme, agora ela já é uma executiva de sucesso e viciada no trabalho. Após uma estafa, é obrigada a se internar numa clínica de reabilitação. Na clínica estão as melhores cenas, graças às participações de Tatá Werneck (Comédia MTV) e Luis Miranda. Depois o filme parte para Nova Iorque, onde perde a força (e a graça). Eriberto Leão está péssimo (como de costume) e Cristina Pereira (ex-TV Pirata) tem as piores piadas. De qualquer forma, o filme está acima da média, garante algumas gargalhadas e merece uma conferida.

Cotação: * * * 1/2


"Paris-Manhattan" é uma homenagem a Woody Allen, contada através da história de uma jovem farmacêutica que, desiludida com suas experiências amorosas, desabafa com um quadro do diretor na parede do seu quarto. O Allen do quadro conversa com ela, e o filme da estreante Sophie Lellouche utiliza frases do próprio Woody extraídas de seus filmes, como o  "Manhattan" do título. O filme termina por ser uma comédia romântica francesa e simpática, e é melhor quando não comparada com a obra do famoso diretor nova-iorquino. Em alguns momentos, o filme até remete a filmes do diretor, como "Um Misterioso Assassinato em Manhattan", numa cena em que os personagens invadem um apartamento numa investigação. Mas nem os personagens, nem a história chegam perto (ou sequer se assemelham) dos filmes de Woody. O filme consegue encerrar de forma simpática, numa cena típica dos finais de comédias românticas, que parecem ser uma melhor referência do que a cinematografia de Woody Allen.

Cotação: * * *



Ao contrário do pedante "Cosmópolis", e em comum com esse o fato de boa parte da ação se passar dentro de uma limosine, "Holy Motors", do diretor francês Leos Carax, é bem mais interessante e divertido. O "enredo" é enigmático; enredo entre aspas porque o filme é uma soma de pequenas histórias, entrelaças pelo fato de serem interpretadas pelo mesmo ator (Denis Lavant), mas que não possuem muito nexo. Algumas são mais compreensíveis do que outras, que abusam da loucura de seus personagens, como por exemplo no trecho em que o M. Merde sequestra uma modelo (Eva Mendes). No contexto geral, acompanhamos um dia na rotina de Oscar, um homem que tem vários compromissos durante o dia. Para cada "compromisso", ele se traveste de um personagem e vive uma vida específica, numa possível metáfora do que é ser ator, ou das diversas vidas que somos capazes de viver em uma só, ou do papel do cinema nos dias de hoje. O filme também conta com participação de Kylie Minogue, em papel originalmente concebido para Juliette Binoche.

Cotação: * * * *



6 de jan de 2013

O Som ao Redor


Em "O Som ao Redor",
a paisagem de prédios das cidades
"O Som ao Redor" é um instigante painel dos problemas e neuroses da vida nas cidades
Diretor pernambucano constrói clima de suspense crescente através de situações cotidianas
por Fábio Pastorello

O cinema pernambucano nos apresenta outro ótimo filme. Ano passado tivemos "Febre do Rato", de Claudio Assis. Esse ano temos "O Som ao Redor", do estreante em longas Kleber Mendonça Filho. Em comum, os dois filmes se passam em Recife e contam com o mesmo ator, o excelente Ihrandir Santos ("Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro"). Mas os universos retratados são bem diferentes. Enquanto Assis retrata um universo bem peculiar, composto de personagens pra lá de alternativos, Mendonça retrata um cotidiano quase da porta ao lado.

A história acompanha a rotina de alguns personagens que moram num mesmo bairro, cuja grande figura é um homem que possui uma série de imóveis. Ele exerce uma influência grande no bairro, ainda mais pelo fato de que seus filhos e netos também moram nesse bairro. Personagem emblemático, ele afirma que apenas mora ali, mas quer que seus filhos e netos frequentem mais a propriedade rural que possui. Um dos netos é um corretor de imóveis e outro um arrombador de carros. Na vizinhança também vive uma mulher, atormentada pelo barulho do cachorro do vizinho. Para completar o painel, dois homens aparecem para oferecer serviços de segurança particular aos moradores.


4 de jan de 2013

Filmes de Dezembro


Os últimos filmes assistidos em dezembro. Novembro não rolou cinema porque eu estava viajando.


Uma das grandes surpresas desse ano, "Ted" é um filme irreverente e divertido, cujo principal diferencial é um urso de pelúcia, mas termina por ser mais pervertido do que infantil. A história começa quando um menino sem amigos faz um pedido e ganha um ursinho falante, que vira seu melhor amigo para vida toda. Ao contrário do que um filme clichê poderia adotar, o ursinho não fala apenas com seu dono, mas ganha até notoriedade. O filme, dirigido por Seth McFarlane, vai além de simplesmente de explorar o contraste da imagem infantil do ursinho com seu comportamento adulto. McFarlane também explora ideia parecida no seriado de animação "Family Guy", onde um bebê age e tem voz de adulto. A história também envolve um casal principal carismático, interpretado por Mark Wahlberg ("Boogie Nights") e Mila Kunis ("Cisne Negro"). Ele, apesar de adulto, ainda precisa crescer. Além de roteirista, McFarlane também faz a voz do ursinho Ted.

Cotação: * * * *


Vez por outra, o gênero da comédia romântica, que tem por principal característica se repetir, acaba se renovando ou modificando alguns de aspectos fundamentais. "Celeste e Jesse para Sempre" é um filme que se difere de outros em alguns desses aspectos. A história é de um casal que tem grande afinidade (Rashida Jones, de "Eu te Amo, Cara", também roteirista do filme e Andy Samberg, de "Saturday Night Live") mas que enfrentam um impasse. Ele não tem trabalho e não se esforça para isso, enquanto ela tem uma carreira bem sucedida. Eles resolvem se separar, mas os sentimentos (e a proximidade) continuam. O filme passa a explorar essa dificuldade que por vezes é conciliar o lado romântico e o lado prático de uma vida em casal. Um filme sensível, ainda comédia e ainda romântico, mas que propõe um algo mais ao gênero.

Cotação: * * * 1/2



O maior trunfo de "O Hobbit", de Peter Jackson e prequel da trilogia "O Senhor dos Anéis", é a nova tecnologia adotada por Jackson dos 48 quadros, que apresenta uma qualidade de imagem bem superior a dos filmes tradicionais, que são 24 quadros por segundo. Infelizmente ainda não assisti com essa tecnologia, então somente o que me resta aqui é avaliar o filme e a história em si, que no caso não trazem nenhuma novidade em relação à trilogia anterior. Até a estrutura dramática é a mesma, alguns personagens se unem para uma grande missão, aqui no caso tentar recuperar a terra dos anões de um terrível dragão. A sensação de déjà vu é reforçada pela aparição de vários personagens da outra trilogia, todos em clima saudoso (apesar dessa história cronologicamente acontecer antes). Mas Peter Jackson é Peter Jackson, e ele consegue realizar tudo com maestria, em particular os efeitos visuais, e toda a sequência com o Gollum é bem divertida.

Cotação: * * * 1/2


"Entre o Amor e a Paixão" é um drama intenso sobre uma mulher (Michelle Williams, de "7 Dias com Marilyn"), bem casada (com Seth Rogen, de "O Besouro Verde"), que começa a sentir uma atração pelo vizinho. A partir dessa atração, ela vive um dilema entre ceder ao vizinho (Luke Kirby) ou manter o casamento. Dirigido por Sarah Polley (de "Longe Dela" e atriz principal do belíssimo "Minha Vida sem Mim"), o filme traz uma delicada reflexão sobre as tentações e a dificuldade de se manter um casamento. A película, porém, não teria a mesma força sem a interpretação inspirada de Michelle Williams, que faz uma mulher cheia de nuances, entre o papel de boa esposa e de uma mulher que quer, e se deixa seduzir. Destaque para uma cena excelente em que em um único plano e ao som de uma valsa, a câmera gira através de uma sala e mostra todo o andamento da relação entre dois personagens. Também adorei uma frase dita por uma das personagens: "Life has a gap in it... It just does. You don't go crazy trying to fill it."

Cotação: * * * *

O Impossível


Cartaz do filme "O Impossível",
dirigido por J. A. Bayone ("O Orfanato")
Filme sobre o tsunami de 2004 é triste e ao mesmo belo

Inspirado na história de uma família que sobreviveu ao tsunami no Oceano Índico, "O Impossível" tem realização impecável e emociona do início ao fim
por Fábio Pastorello

"O Impossível" (The Impossible, 2012) começa com uma viagem, uma família dentro de um avião, em direção da Tailândia. Ali o filme já introduz pequenos elementos que irão colaborar para a construção dramática do filme, seja no conflito familiar e corriqueiro entre mãe (Naomi Watts, indicada ao SAG e ao Globo de Ouro como melhor atriz por esse filme) e filho rebelde (Tom Holland), ou na página de um livro que está solta. Tudo o que acontece nos primeiros minutos do filme colabora para nos mergulhar no clima cotidiano de uma viagem (com tudo o que pode haver de bom nela), mas que irá terminar de forma trágica. Esse contraponto do comum ao extraordinário é essencial para o impacto que o filme irá provocar.