25 de fev de 2013

Oscar 2013 - Os Vencedores


"Argo", o grande vencedor da noite do Oscar
Melhor montagem e melhor roteiro garantiram o melhor filme no Oscar
O filme "Argo", dirigido por Ben Affleck, ganhou os principais prêmios, mas ficou fora do prêmio de melhor direção

por Fábio Pastorello

Assistir a premiação do Oscar é sempre aquela lamentação, em função das escolhas dos membros da Academia, sempre polêmicas. Esse ano, por exemplo, as maiores devem ficar por conta da atriz francesa Emmanuelle Riva não ter levado Oscar pelo filme "Amor". Mas o importante é que a premiação nos leva a assistir e falar mais sobre cinema, o que já é muito legal. E, convenhamos, essa correria de ver todos os filmes do Oscar é muito gostosa e sempre rende ótimas películas para assistir.


23 de fev de 2013

Os Miseráveis


Cartaz do filme "Os Miseráveis"
Realidade e invenção estão interligadas no musical "Os Miseráveis"
Filme ganhador do Globo de Ouro de melhor musical/comédia é um emocionante filme de excessos


O cinema é uma arte que tem a possibilidade de reunir todas as outras. Ali estão unidas a fotografia, a música, a literatura, o teatro, a dança, a pintura, a moda, a cenografia, a tecnologia como expressão artística (através dos efeitos visuais, que também são um pouco de mágica, taí o nosso querido George Meliès que não nos deixa mentir), etc. Quanto mais artes a obra cinematográfica consegue reunir e harmonizar, maior o encanto que ela provoca em mim. No caso, "menos é mais" não é o meu lema predileto. Para confirmar essa tese, basta dizer que o excessivo, mas genial, "Moulin Rouge - Amor em Vermelho" de Baz Luhrmann, é um dos meus filmes prediletos de todos os tempos.

Por isso, fica fácil de entender porque algumas pessoas gostam tanto, e outras não, do musical "Os Miseráveis", adaptação de um musical da Broadway e de um livro de Victor Hugo. Tudo depende de como o público prefere essa mistura de influências ou as obras mais minimalistas. O cinema de hoje em dia tem espaço para tudo isso, e depois de assistir filmes sem nenhuma trilha sonora (como era a proposta da turma do Dogma 95 de Lars Von Trier), talvez cause estranhamento ver agora um filme absolutamente todo cantado, como é o caso de "Os Miseráveis".


10 de fev de 2013

Filmes do Oscar - Jan-Fev 2013


Um apanhado de alguns dos filmes indicados ao Oscar.


Em "As Aventuras de Pi", filme indicado para 11 Oscar, entre eles melhor filme, Ang Lee ("O Segredo de Brokeback Mountain") conta a história de um jovem náufrago que tem que lutar pela sobrevivência em um bote salva-vidas, acompanhado de um tigre. A história apela para a fantasia e para a simbologia, e é um exercício interessante (e raro no cinema de hoje em dia) tentar desvendar algumas das metáforas do filme. Algumas delas são reveladas no próprio final do filme, de modo um tanto didático e preguiçoso. Mas de resto, o filme é interessante e possui um ótimo desfecho, que certamente gera discussões. Pena que o resto do filme não é tão forte como o desfecho, e a produção possui vários pontos frágeis, em que a narrativa torna-se cansativa (o filme demora bastante tempo para começar, ou seja, para afinal chegar no naufrágio), e encontra força graças aos efeitos visuais,  fotografia e trilha sonora (todos indicados ao Oscar), bastante sofisticados.

Cotação: * * * *




Paul Thomas Anderson é o diretor responsável por filmes ótimos como "Boogie Nights" e "Magnólia", mas sinceramente achei o badalado "Sangue Negro" um filme bastante chato. Em "O Mestre", indicado para 3 Oscar, nota-se novamente um diretor excelente, mas em um roteiro que poderia ser muito melhor. O tema é interessantíssimo: como as pessoas precisam de líderes e gostam de se sentir incluídas em grupos. Aqui, a história gira em torno do perturbado Freddie (Joaquin Phoenix, em interpretação impressionante), que passa a seguir o escritor Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman, sempre ótimo), que possui estranhas crenças e rituais, envolvendo até viagem no tempo. Há uma polêmica em relação às semelhanças de Dodd ao líder da Cientologia, religião seguida por Tom Cruise e outros famosos nos EUA, inclusive dizem que Cruise intercedeu junto a Anderson (com quem trabalhou em "Magnólia") para que as semelhanças fossem reduzidas. O roteiro se perde algumas vezes, mas o filme segue forte graças à força de seu elenco, que conta também com Amy Adams ("Dúvida").

Cotação: * * * *


Indicado ao Oscar de melhor filme e melhor filme estrangeiro, e ganhador da Palma de Ouro em Cannes, entre outros prêmios, "Amor" é um filme triste e contundente. A produção dirigida por Michael Haneke, também indicado ao Oscar, conta a história da decadência física e psicológica de uma mulher, até encontrar a morte. A morte da protagonista, interpretada por Emmanuelle Riva (indicada ao Oscar, do clássico "Hiroshima, Mon Amour"), não é um spoiler, já que acontece logo no início do filme, quando seu corpo é encontrado apodrecido no interior de seu apartamento. Embora pareça um filme isento, através da ausência de trilha sonora, ou da câmera quase sempre fixa, ou dos planos demorados em cenas corriqueiras, "Amor" não nega sua verdadeira intenção: a de nos fazer sentir miseráveis. E de fato, através principalmente de seu roteiro, consegue. De qualquer forma, é impossível não se emocionar, e o amor dos protagonistas, quase incondicional, funciona como um alívio para o pesado drama.

Cotação: * * * 1/2



O melhor ao assistir "O Lado Bom da Vida", de David O. Russell ("O Vencedor"), é não criar expectativas, por causa de suas indicações ao Oscar. Trata-se de uma comédia romântica com ótimos personagens, elenco excelente e um roteiro inteligente, mas ainda assim é uma comédia romântica. Lógico, muita gente ainda acha a comédia um gênero menor do que o drama, por isso estranham quando um filme que diverte possa ser indicado para algum prêmio. O próprio Oscar pensa assim, por isso foi legal o filme ter sido indicado para todos os prêmios principais, desde melhor filme, até roteiro e todo o elenco principal. Bradley Cooper está excelente como o protagonista bipolar, e Jennifer Lawrence, favorita ao Oscar, tem um ótimo personagem e não desperdiça. A história é sobre um rapaz (Cooper) que acaba de sair uma clínica psiquiátrica, após se tratar de um trauma com a traição da esposa. Em sua recuperação, ele conhece uma garota também louquinha (Jennifer) e os dois entram num concurso de dança. O final é bem previsível, mas a boa composição de personagens e as interpretações garantem uma comédia romântica acima da média.

Cotação: * * * *


Indicado ao Oscar de melhor ator, Denzel Washington é a melhor razão para assistir "O Vôo", de Robert Zemeckis ("Náufrago" e "De Volta para o Futuro", para citar dois filmes do diretor em duas fases completamente diferentes). Além da interpretação de Denzel, que compõe um complexo personagem envolvido com alcoolismo, o filme também conta com uma impressionante e angustiante cena de avião (aliás, como Zemeckis já fizera bem em "Náufrago"). No mais, o filme caminha em passos lentos e não muito animadores, mas até que consegue passar bem o drama do alcoolismo de seu personagem. Confesso, porém, que minha análise do filme ficou bastante prejudicada pela sala onde eu vi o filme, no Shopping Higienópolis: o som estava péssimo e o público ora tossia, ora espirrava, ora caminhava pela sala, ora conversava e, finalmente mas não felizmente, ora roncava. Impossível se concentrar no filme com tantos ruídos.

Cotação: * * *




4 de fev de 2013

Django Livre


Depois de explodir os nazistas, Tarantino parte agora em vingança a favor dos negros
Novo filme de Quentin Tarantino é quase um desabafo contra os atos de racismo nos Estados Unidos
por Fábio Pastorello

Quentin Tarantino mudou a história do cinema com "Pulp Fiction", em 1994. Nesse filme, ele fortaleceu (não vamos dizer criou, porque não eram de fato inovações) diversos tipos de narrativa no cinema, como as histórias com múltiplos plots (ou seja, a trama se divide em diversos personagens, também famosas nos filmes de Robert Altman), roteiros fora de ordem cronológica ou os longos diálogos que normalmente seriam encurtados pelos professores de roteiro. Depois de "Pulp Fiction", os filmes de Tarantino praticamente criaram um gênero no cinema. Felizmente, ele conseguiu se reinventar e manter a qualidade nos filmes posteriores, como em "Jackie Brown", na série "Kill Bill" ou no último "Bastardos Inglórios". Propondo um misto de inovação com homenagem a filmes antigos, Tarantino segue sua trajetória com "Django Livre" (Django Unchained, 2012).